Hoje celebramos e dizemos o que os nossos povos precisam
01/10/2026 · 07:27
HOJE ESTAMOS EM FESTA · 1 DE OUTUBRO DE 2026
Hoje, 1 de outubro de 2026, Los Pueblos Más Bonitos de España estamos em festa. É o aniversário da associação. Nas aldeias da rede hasteia-se a bandeira e lê-se um manifesto comum. Fazemo-lo com orgulho: uma aldeia não é apenas um conjunto de ruas bonitas. É uma comunidade viva, que guarda uma história, tradições e uma forma de entender a vida.
Desde 2010 que defendemos que essa beleza se mede também em quem fica, na força das suas gentes e na esperança de construir aqui um projeto de vida. Por isso hoje, em plena celebração, levantamos a voz. Reivindicamos um futuro justo e digno para o meio rural. E dizemo-lo sem rodeios.
O que as nossas aldeias precisam
Isto é o que pedimos. Está no manifesto que hoje se lê nas aldeias da rede.
Habitação para poder ficar
Políticas que deem vida às aldeias. Apoio à reabilitação de habitações históricas. Que possam chegar novos vizinhos. Infraestruturas modernas que respeitem a identidade de cada lugar. E que os jovens possam construir aqui o seu projeto de vida, não apenas visitá-lo.
Um setor primário com futuro
Agricultores, pecuaristas e produtores locais são a alma da terra. O seu trabalho merece respeito, apoio e futuro. Pedimos medidas para que o que produzem, com esforço e de forma sustentável, seja valorizado dentro e fora das nossas fronteiras.
Um turismo que não pese sobre quem vive
Defendemos um turismo responsável: que cuide do que somos, respeite os costumes e contribua para o bem-estar de quem vive na aldeia. São necessários recursos suficientes para acolher quem chega sem que isso seja um fardo, mas sim uma oportunidade partilhada.
Comércio, artesãos e consumo de proximidade
Comércio, artesãos e empreendedores são o coração das ruas. Dão vida a cada praça e a cada mercado. Pedimos que se fomente o consumo de proximidade e que se valorize a singularidade do que produzimos.
Comboios e transporte: a mobilidade é um direito
O mundo rural também tem de estar ligado. Pedimos que não se cortem comboios nem serviços básicos de transporte pelo simples facto de não serem rentáveis. A mobilidade é um direito, não um privilégio. Viver num município pequeno não pode significar ter menos direitos do que numa grande cidade.
Prevenção de incêndios, não apenas extinção
Pelo segundo ano consecutivo, Espanha viveu um verão de grandes incêndios. O de 2025 não foi uma exceção. O de 2026 confirmou-o: campos, montes e lares perdidos, aldeias evacuadas, uma paisagem que demora décadas a recuperar. Pedimos limpeza de montes e faixas de segurança à volta de cada aldeia, com trabalho durante todo o ano, não apenas quando o calor aperta. Pedimos a recuperação do pastoreio, o cuidado da floresta e a vigilância, e emprego estável para quem vive aqui e cuida do monte. Sem natureza não há futuro, e o meio rural não pode ser o grande esquecido.
Apoios para as autarquias pequenas
Uma aldeia de algumas centenas de vizinhos não pode financiar sozinha as equipas, a maquinaria e a limpeza de mato que hoje lhe são exigidas. A prevenção não pode depender do orçamento de uma autarquia rural. Precisamos de recursos estáveis, fáceis de solicitar e que cheguem antes do verão, não quando já só restam cinzas.
Escola, festas, línguas e tradições
Queremos escolas abertas e de qualidade para as crianças, porque sem elas não há futuro. E queremos manter vivas as festas, as línguas e as tradições: são a memória do que fomos e a promessa do que continuaremos a ser.
Uma recordação
Hoje guardamos também uma recordação. Às pessoas que perderam a vida nos incêndios e nas catástrofes naturais deste último ano, levamo-las na memória. Cada perda obriga-nos a continuar com mais força e mais compromisso.
Hoje celebramos as nossas aldeias e, ao mesmo tempo, comprometemo-nos com o seu futuro. Cuidar das aldeias é cuidar da vida, da cultura e da identidade de Espanha. Continuaremos a lutar, unidos, pela nossa beleza, a nossa cultura, o nosso meio ambiente e as nossas gentes.
Associação Los Pueblos Más Bonitos de España · 1 de outubro de 2026

