Logo Los Pueblos Más Bonitos de EspañaLos Pueblos Más Bonitos de España - Inicio

Experimenta o Clube 7 dias grátisDepois, preço de fundador. Apenas até 31 de agosto.

Termina em 18 d 21 h 29 minProvar 7 dias grátis
Artigos

Nas pegadas da transumância: Os caminhos dos pastores de Alpuente

06/08/2026 · 08:56

As nossas paisagens escondem segredos ancestrais que merecem ser descobertos passo a passo, como, por exemplo, os caminhos dos pastores, a Cañada Real de Castela, a Vereda de Alpuente e a memória viva da nossa tradição comunitária.

Um império forjado na lã: O Honrado Concejo da Mesta

Para compreender a importância dos nossos caminhos rurais, temos de recuar até ao ano de 1273, quando Afonso X, o Sábio, criou o Honrado Concejo da Mesta dos Pastores. Esta instituição reuniu os criadores de gado de Leão e Castela, concedendo-lhes privilégios excecionais, como a isenção do serviço militar ou direitos de passagem e pastoreio.

Com o tempo, graças à preciosa lã merina, a Mesta adquiriu um poder imenso. A procura internacional proveniente da Inglaterra, França ou Flandres transformou esta atividade na base da economia peninsular, financiando primeiro a Reconquista e, mais tarde, a política expansionista da Casa da Áustria.

Os sucessivos reis, e muito especialmente os Reis Católicos (com o Ordenamento de 1489 e as Ordenanças de 1492), consolidaram esta rede de vias pecuárias. Embora a partir do século XVII a economia da lã tenha começado a declinar e a transumância tenha ido definhando perante os interesses agrários, o traçado daquelas vias continua gravado na nossa terra.

Caminhos com história viva: Cañada Real e Veredas de Alpuente

Caminhar pelo nosso concelho é pisar a história. A paisagem de Alpuente conserva vestígios daquela época dourada da pastorícia:

  • A Cañada Real de Castela: Na sua zona oeste, ainda se conservam trechos de muros de pedra seca, construções engenhosas erguidas para delimitar o traçado e impedir que o gado invadisse as culturas.

  • A Vereda de Alpuente: Um caminho de terra de larguras variáveis que, antes de chegar à aldeia de Baldovar, atravessa pontes concebidas para ultrapassar os desfiladeiros do terreno.

  • A Via Pecuária de La Torre: Na própria aldeia de La Torre, conservam-se os dois muros delimitadores junto ao bebedouro local. Noutro troço que faz ligação com a Cañada Real, as paredes mantêm-se de pé.

O Rebanho comunitário e a Dula: um exemplo de recursos partilhados

As pedras e os caminhos não são apenas vestígios do passado, mas forjaram a alma de Alpuente e os seus costumes solidários. Uma das tradições que se manteve até há pouco tempo — e que pode conhecer em profundidade visitando o nosso Museu de Etnologia de Alpuente — é a do rebanho comunitário.

Os vizinhos juntavam as suas ovelhas para formar um único rebanho. Os turnos para levar os animais a pastar eram organizados de forma equitativa através do sistema de «ir por dias»: cada morador pastoreava o rebanho durante um número de dias estritamente proporcional ao número de cabeças de gado que tinha contribuído.

Atualmente, restam poucos pastores profissionais no nosso concelho, mas a essência permanece intacta. Se caminhar tranquilamente pelos nossos trilhos, ainda é possível cruzar-se com algum rebanho a pastar ao sol, lembrando-nos de que o ritmo rural de Alpuente continua vivo.