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Primeiras descobertas paleontológicas na região de La Serranía

14/09/2026 · 13:58

Poderão ter existido gigantes em La Serranía antes do aparecimento do homem? Hoje em dia, a resposta parece óbvia, desde que concretizemos a que se poderia referir o termo “gigantes”. Remexendo em livros antigos que tratam da comarca de Los Serranos, encontramos aquela que poderíamos considerar a primeira referência, ainda que indireta, a restos de dinossauros no nosso país: Don Vicente Mares, que foi reitor da Igreja Paroquial de Chelva, localidade situada na comarca de La Serranía, cita na sua obra ‘La Fénix Troyana’ de 1681: “(…) em la Yesa, a duas léguas de Chelva, encontrou-se um sepulcro que, acomodando os ossos, cada um no seu lugar, tinha 20 palmos de comprimento. E há doze anos que em Chelva, na zona de la Torrecilla, se encontrou outro muito maior de estatura, do mais agigantado homem dos nossos tempos, e na Villa de Alpuente pelos anos de 1671 encontraram outro da mesma forma” (Gasulla et al. 2009). Posteriormente, Segura-Barreda em 1868, faz referência a “alguns ossos disformes (…) em estado de fossilização” encontrados nas proximidades de Morella, que, sem especificar que fossem de dinossauros, conclui que “não podem ser de alguma espécie conhecida nos nossos tempos”. Mas quem finalmente atribui estes achados a répteis cretácicos é Vilanova y Piera (1872), pelo que esta última é considerada a primeira citação direta do achado de fósseis de dinossauros.

Embora as primeiras referências explícitas a fósseis de dinossauros na comarca de Los Serranos não as encontremos até princípios do século XX. Em 1915, Ramón Trullenque (farmacêutico da localidade de Carlet) comunica à Real Sociedad Española de Historia Natural, da qual era sócio, a descoberta de uns ossos em Benagéber que atribui a répteis jurássicos. A esta citação seguir-se-ão uns anos depois, a de Beltrán (1920) e as de Royo y Gómez (1925 e 1926a e b, entre outras), Rothé (1959) e Lapparent (1963), já na segunda metade do século.

No entanto, não é até à década de 80 quando se tornam patentes as primeiras escavações sistemáticas nesta região e o estudo detalhado dos fósseis recuperados por parte dos Drs. J.V. Santafe e L. Casanovas, investigadores do Institut de Paleontologia Miquel Crusafont de Sabadell. O material recuperado durante aqueles trabalhos de campo permitiu definir uma nova espécie de saurópode de uma jazida próxima à aldeia de Losilla de Aras (termo de Aras de los Olmos); à qual se deu o nome de Losillasaurus giganteus Casanovas-Cladellas, Santafé y Sanz 2001, atualmente em exposição no Museo de Ciencias Naturales de Valencia. Em Alpuente, os achados relevantes foram ossos de dinossauros estegossauros atribuídos à espécie Dacentrurus armatus– (CasanovasCladellas et al., 1999) os primeiros encontrados em Espanha; e vários dentes isolados pertencentes a dinossauros terópodes e a um saurópode.


Extraído do artigo “Los yacimientos con restos de dinosaurios del Jurásico Superior y Cretácico Inferior en la comarca de los Serranos (Valencia): Un patrimonio paleontológico con proyección en el desarrollo local” publicado na Revista ISURUS Nº 7 ISSN 1888-9441. Autora: Maite Suñer (Diretora do Museo Paleontológico de Alpuente)