DIONÍS DE BELLÍN: UM PEDREIRO DO SÉCULO XVI E O SEU LEGADO EM LINARES DE MORA
20/09/2026 · 13:24
Uma história do século XVI que une Linares de Mora ao Maestrazgo e às terras do Ebro
No século XVI, os territórios da antiga Coroa de Aragão estavam ligados por uma intensa circulação de pessoas, conhecimentos e formas de construir. Mestres canteiros e profissionais da arquitetura percorriam diferentes localidades, participando em obras que hoje fazem parte do nosso património histórico.
Entre estes profissionais encontramos Dionís de Bellín, um canteiro de origem flamenga cuja trajetória permite descobrir uma parte até agora pouco conhecida da história arquitetónica de Linares de Mora.
Segundo a investigação realizada por Jorge Martín e Pablo Cercós, Bellín era natural de Gante, na Flandres, e chegou à península ao serviço de Carlos V. A sua atividade está documentada entre 1539 e 1554 em diferentes localidades do Maestrazgo turolense e das Terres de l’Ebre.
E um dos primeiros lugares onde encontramos a sua marca é precisamente Linares de Mora.
Linares de Mora, protagonista da sua trajetória
Em 1539, Dionís de Bellín aparece documentado em Linares de Mora, relacionado com as obras da igreja paroquial.
A sua presença permite-nos situar o município dentro das redes profissionais e artísticas que percorriam o território durante o século XVI. Linares de Mora participava assim de um espaço cultural no qual mestres e canteiros se deslocavam entre localidades, levando consigo técnicas, conhecimentos e novas formas de entender a arquitetura.
Mas a história de Bellín em Linares não esteve isenta de dificuldades.
A documentação estudada por Martín e Cercós revela que parte dos trabalhos realizados não se ajustou às condições que tinham sido acordadas, o que provocou reclamações e a obrigação de refazer determinados elementos da obra, além de ter de fazer face a uma indemnização.
Estes documentos são especialmente valiosos porque permitem conhecer como se organizavam as grandes obras de construção naquela época: como se contratavam, como se supervisionavam e o que acontecia quando o resultado não correspondia ao acordado.
Uma viagem pela arquitetura do século XVI
A história de Dionís de Bellín não termina em Linares de Mora.
A sua trajetória continua em La Iglesuela del Cid, onde por volta de 1546 participou na construção da ermida da Virgen del Cid, um dos principais testemunhos conservados do seu trabalho.
O edifício apresenta uma arquitetura sóbria, com uma única nave, abóbadas de cruzaria simples, coro alto e um profundo presbitério. Num dos seus silhares conserva-se ainda a assinatura de Bellín, realizada sobre um elemento proveniente do mausoléu romano de Domicio Próculo.
Posteriormente aparece documentado em Tortosa, relacionado com as obras dos Reales Colegios. A documentação assinala que Dionís de Bellín tinha falecido já em 1554.
Uma história que liga territórios
A trajetória deste mestre canteiro é um exemplo da mobilidade dos profissionais da construção durante o século XVI.
O seu percurso entre Linares de Mora, La Iglesuela del Cid e Tortosa reflete a existência de ligações entre territórios que, embora pertencessem a diferentes âmbitos administrativos e religiosos, partilhavam relações económicas, culturais e artísticas.
Neste contexto, Linares de Mora ocupa um lugar especialmente significativo, já que é um dos primeiros pontos documentados da trajetória de Bellín e onde a sua atividade ficou ligada à construção da igreja paroquial.
Um novo olhar sobre o património de Linares de Mora
Conhecer a história de Dionís de Bellín permite olhar para o património de Linares de Mora a partir de uma nova perspetiva.
A igreja paroquial não é apenas um edifício histórico: as suas obras fazem parte de uma história mais ampla de mestres, canteiros e arquitetos que percorreram o território e contribuíram para construir a paisagem que hoje conhecemos.
A investigação de Jorge Martín e Pablo Cercós recupera documentação que ajuda a compreender esse passado e permite valorizar a relação de Linares de Mora com a arquitetura do século XVI.
A figura de Dionís de Bellín recorda-nos que, por detrás de cada edifício histórico, existem pessoas, contratos, dificuldades, conhecimentos e formas de trabalhar que também fazem parte do nosso património.
O documento completo da investigação sobre Dionís de Bellín pode ser consultado no Posto de Turismo de Linares de Mora.
Convidamo-lo a vir e a descobrir com maior detalhe a trajetória deste mestre canteiro, a sua relação com Linares de Mora e os documentos que permitem reconstruir uma parte da história do nosso património.

