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O diabinho em Sepúlveda
En familia · Sepulveda

O diabinho em Sepúlveda (PT)

Em Sepúlveda, a noite de 23 de agosto transforma-se num espetáculo tão inesperado quanto profundamente enraizado: o aparecimento de «El Diablillo», uma tradição única que combina mistério, fogo e emoção coletiva.

Em família
Festa de “El Diablillo”

Uma noite em que tradição, fogo e diversão se fundem num ritual singular.

A origem desta celebração perde-se no tempo. Embora não existam documentos que registem o seu nascimento, os testemunhos permitem situá-la, pelo menos, no início do século XX. Essa mistura de história imprecisa e continuidade viva é precisamente o que reforça o seu caráter: uma tradição transmitida mais pela emoção do que pela escrita.

Ligada à festividade de São Bartolomeu, padroeiro do bairro, a celebração tem lugar na véspera, quando o povo começa a reunir-se junto à igreja. Dez minutos antes das dez da noite, a cena já antecipa o que está para vir: acende-se uma fogueira com a lenha utilizada nos fornos onde se assa o tradicional cordeiro de Sepulveda, criando uma ligação direta entre a vida quotidiana e o ritual festivo.

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Às dez em ponto, o som dos sinos rompe o murmúrio e a iluminação pública apaga-se. Por alguns instantes, a escuridão domina a cena. É então que, de forma quase abrupta, emergem da fogueira os diabinhos: figuras vestidas de vermelho intenso, com chapéus, óculos iluminados e vassouras na mão.

O seu aparecimento transforma completamente o ambiente. Saltando, correndo e rindo, percorrem a escadaria e os arredores entre o público, a quem surpreendem com golpes simbólicos de vassoura que fazem parte do jogo e da tradição. Durante cerca de meia hora, a tensão, o riso e a surpresa entrelaçam-se numa cena que mistura o festivo com o ritual.

A força desta tradição reside na sua autenticidade e no envolvimento da comunidade, com um papel de destaque da Associação Amigos de «El Diablillo», encarregada de manter vivo este legado.

Reconhecida como Manifestação Tradicional de Interesse Cultural Provincial em 2018, esta celebração é hoje um dos símbolos mais singulares de Sepúlveda.

O fim chega quando o cansaço vence os diabinhos, que realizam a sua última corrida entre aplausos, deixando para trás uma imagem carregada de energia, tradição e cumplicidade coletiva.

Pode viver esta tradição em:

Sepúlveda

Uma celebração que não se observa de fora, mas que se vive de dentro, em contacto direto com a tradição e com aqueles que a mantêm viva.

Onde o fogo desperta a tradição e a noite se enche de vida.